quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

1 ano de ti

São 7 da manhã, acordo com o enfermeiro para mais uma dose de medicamentos.

Dou-me conta que tinha finalmente adormecido e que já não sentia contracções.
Fiquei feliz! Até disse ao enfermeiro, que já não sentia nada, ao que respondeu que era bom sinal.
Nisto vou à casa de banho, e ao limpar-me muito sangue numa mistura viscosa: rolhão mucoso!

Mau sinal.

Volto para a cama e começam algumas dores incomodativas. Não estava a gostar nada disto, afinal não estava nada bem!
A médica chega, e verifica que estou com algumas dores. Mais um CTG.
Contracções algo intensas. Vamos ver como isso está e vou ausculta-la, diz-me ela.
Entretanto, telefono ao Luís para lhe dar as indicações de onde estavam as coisinhas da menina para pôr na mala.
Nesta altura, pediram-me urina para descartar infecções. Não aguentava deitada e andava de pé, agarrada ao soro. Sempre ao telefone.
A cada contracção respirava fundo, as dores ainda eram perfeitamente suportáveis, mas muito desagradáveis.

10h30 - A médica vem me buscar para verificar a situação. Entro na sala, onde se encontrava uma estagiária. A médica diz-lhe que ela não me pode auscultar porque pode ser um caso de parto prematuro e prefere ser cuidadosa.
Eu tremia: nervos, medo, ânsia, ... sensações contraditórias. A minha menina não podia nascer, era muito cedo. Mas no fundo, eu já sabia. Estava tudo a começar!

A médica ao auscultar-me deu um grito: minha menina, vai já para a sala de partos. Está com 7 dedos de dilatação. A sua bebe vem a caminho. Avisaram logo a equipa médica. Fui de cadeira de rodas.
Não tive reacção. Fui em piloto automático, só seguia as instruções.

Deitaram-me na maca, tirei a roupa vesti uma nova bata. ligaram-me às maquinetas.

11h00 - Veio a médica que me ia assistir, explicou-me que me ia perfurar a bolsa para acelerar.
Muita água a correr entre as pernas.

Aqui as dores revelaram-se intensas demais. Fiquei sozinha com uma enfermeira que me deu a mão. Eu agarrava-me a tudo o que podia, a cada contracção. Não esmaguei a mão dela por sorte.

Neste momento, perguntei se não me davam a epidural, tal era o meu desespero. A enfermeira pegou-me na cara e disse-me, minha querida já não vai a tempo. Vai ser forte, a sua menina vem ai.

Em dois minutos, gritaram pela equipa, já eu estava com 10 de dilatação. Era agora. E eu estava assustada, sem saber o que fazer.

A enfermeira ajudou-me a agarrar-me aos ferros de lado para poder fazer força.

Em menos de 30 minutos ela nascia. Saudável, com muito choro. E foi um alívio.



Ouvi o teu choro pela primeira vez a esta hora ... a mais linda melodia para os meus ouvidos.
Es o amor da minha vida. Amo-te

... segue ... "O internamento - 14 dias"

8 Comments:

Ana said...

Parabéns à Leonor e aos papás!

Dá-lhe uma beijoca na bochecha por mim:-)

Cusca said...

Eu dou!!! Beijos

Lina said...

Tão giro! Gostei muito! Aliás adorei!
Parabéns Leonor. Parabéns Papás.
Muitas Felicidades.
Beijinhos nossos

Cusca said...

Beijos Lina e Obrigada!!!

Sofia said...

Parabens!!! ;-) Como passou depressa, nao e? A minha faz 13 meses hoje e ainda nao acredito que ja foi ha um ano.
bjs

Maria Pereira said...

Momentos para recodar para sempre :) Muitos parabéns e muitas felicidades

Madame Pirulitos said...

Embora nos tenhamos afastado um bocadinho neste mundo internético quero deixar-te um beijo enorme e à tua Leonor. Um ano de vida com uma descrição emocionante.

Cusca said...

Pirulitos um beijão para ti e para todos vós! Volta sempre para uma visitinha e para dizer como estas! Beijão